43. O Ideal de Deus (2)
Gatheka Religiosa
por Hazrat Inayat Khan
Existem diferentes concepções de Deus, encontradas em vários períodos da história e cultivadas por povos diferentes. As pessoas buscadoras da Divindade o têm retratado de uma forma ou outra, ao longo das eras. Isso é natural no homem. Se falam a uma pessoa sobre alguém que nunca tenha visto ou conhecido, ela fará uma concepção do indivíduo descrito, a qual ele mantém até que possa vê-lo pessoalmente. Há alguns que formam uma idéia em sua mente a respeito de uma pessoa que nunca tenham visto, e essa visão torna-se quase tão real quanto a pessoa. O coração humano é um abrigo que acolhe a idéia de Deus e as imagens d’Ele, de acordo com a nossa mentalidade. O Buda da China tem características chinesas e do Japão é de acordo com a interpretação japonesa. O Buda da Índia já mostra seu aspecto em estilo indiano. O homem não pode conceber que um anjo seja diferente do ser humano, exceto que acrescenta duas asas ao anjo, a fim de torná-lo um pouco diferente. Se o anjo não fosse idealizado como homem, não atrairia a percepção humana. Por isso, é natural que em todos os tempos as pessoas tenham concebido a personalidade de Deus como uma personalidade humana. E não poderiam ter dado melhor projeção, pois não há nada no mundo tão definido como a personalidade humana.
As pessoas têm se referido a Deus como “Ele”, reconhecendo a força e o poder da Divindade. Outras pessoas têm se referido a Deus como “Ela”, reconhecendo na divindade o princípio materno e a beleza. Dessas diferenças de concepção é que surgiram os muitos deuses e deusas. E é fato também que, para tantas concepções, tantos deuses foram derivados. Há também muitos deuses originados da concepção do Deus Único. Pela ignorância desta verdade, muitos lutaram pelos seus deuses diferentes, enquanto os homens sábios, em todos os tempos, compreenderam que Deus é o Único Ser. Para a mente comum, constatar a existência de alguém mentalmente não é suficiente. É muito vago. As pessoas querem sentir a existência de alguém com suas próprias mãos, só então ele pode reconhecer algo como real. Os sábios, portanto, tem escolhido diferentes objetos, de acordo com essas mentalidades, e apontaram-nos como deuses. Alguns disseram ver Deus no Sol e a pessoa entendeu. Ela não estava satisfeito com somente pensar em Deus, e ficou mais feliz em saber que Deus pode ser visto, é comparável ao Sol e, portanto, inacessível.
Alguns sábios disseram: Ele está no fogo. Outros disseram para um simplório que pediu para ver a Deus: "Vá à floresta e procure uma determinada árvore;: aquela árvore é Deus." A busca por essa árvore deu um ponto de partida, uma ação objetiva para aquele homem realizar, e isso foi essencial. E a paciência com que ele procurou a árvore também provocou algo em sua alma. E a alegria de encontrar uma árvore rara também foi um prazer. No final ele encontrou, pois Deus está em toda parte. Alguns fizeram imagens de idéias diferentes, como o amor, a justiça , o conhecimento e o poder e chamaram-nos de deusas diversas, moldadas em imagens diferentes, dando-as para o homem cultuar. Alguns sábios dizem que a vaca é sagrada. Certamente é sagrada para um agricultor cuja produção depende da vaca. O sustento de sua vida vem, em todas as formas, a partir da vaca, - então ela é sagrada.
Os sábios têm apontado diversos objetos que sejam atrativos aos olhos do homem, e que se tornam objetos de concentração, para que sua mente se aquiete e Deus possa então se manifestar. Desse modo, os sábios apresentaram o Ideal Divino para as pessoas na forma de símbolos. Para pessoas simples um símbolo era Deus, e às mentes despertas o mesmo símbolo de Deus foi um fator revelador do segredo da Divindade. Podemos ver como a sabedoria tem desempenhado o seu papel, de modo admirável, na diversidade da concepção do ideal divino, orientando as almas de todos os graus de evolução para o mesmo objetivo que, no fim, se torna realização espiritual!
Reflexões diárias sobre os seguintes pontos da Gatheka Religiosa 43
Ponto Um: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan, na palestra, diz: "O coração humano é um abrigo, que acolhe a idéia de Deus e as imagens d’Ele de acordo com a nossa mentalidade. O Buda da China tem características chinesas e do Japão é de acordo com a interpretação japonesa, O Buda da Índia já mostra seu aspecto em estilo indiano."
Contemplação: "Permita-nos reconhecer-Te em todos os Teus Nomes e Formas." (Oração do Salat)
Ponto Dois: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan, na palestra, diz: "As pessoas têm se referido a Deus como “Ele”, reconhecendo a força e o poder da Divindade. Outras pessoas têm sereferido a Deus como “Ela”, reconhecendo na divindade o princípio materno e a beleza. Dessas diferenças de concepção é que surgiram os muitos deuses e deusas. E é fato também que, para tantas concepções, tantos deuses derivados. Há também muitos deuses derivados da concepção do Deus Único."
Contemplação: A importância de recordar os conceitos de Jelal (poder, pode, ritmo) e Jemal (graça, beleza, harmonia) em ideais religiosos e na vida.
Ponto Três: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan, na palestra, diz: "Podemos ver como a sabedoria tem desempenhado o seu papel, de modo admirável, na diversidade da concepção do ideal divino, orientando as almas de todos os graus de evolução para o mesmo objetivo que, no fim, se torna realização espiritual!"
Contemplação: Diversidade na Unidade; Unidade na Diversidade.
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42. O Ideal de Deus (1)
Gatheka Religiosa
por Hazrat Inayat Khan
A existência de Deus é uma questão que se coloca em cada mente, quer na mente do crente em Deus ou na mente do incrédulo. E há momentos em que o maior crente em Deus questiona Sua existência - se há realmente um Deus. Em um segundo momento, ele considera sacrilégio questionar um assunto desses, e tenta livrar-se logo da idéia. Porém, muitas vezes esta questão surge no coração do crente: se é realmente verdade, se é que existe tal coisa como um Deus. A idéia de Deus é inata no homem. O Deus-Ideal é a flor da raça humana, e esta flor desabrocha na compreensão de Deus.
Como tudo no mundo objetivo tem a sua tendência a se revelar, então a tendência da alma pode ser observada na aspiração humana, que sempre se eleva, seja qual for a esfera de consciência do homem. O homem que só é consciente da vida material cultiva aspirações que só chegam até o quanto elas possam lhe trazer ganhos materiais. E, ainda assim, ele continua mais e mais, e se mantém descontente com tudo o que consegue na vida, devido à imensidão das coisas que existem no mundo. Esse desejo de realização daquilo que é inatingível dá à alma uma ânsia de alcançar as alturas máximas de vida. É da natureza da alma sempre desejar subir a tais alturas, que estão além do seu poder, é o desejo da alma de ver algo que nunca viu, é a vontade constante da alma de poder saber de algo que nunca conheceu . Mas a coisa mais interessante disso é que a alma já sabe que há algo por trás desse véu, o véu da perplexidade, que há algo a ser procurado nas mais altas esferas da vida, que há alguma beleza para ser vista; que há algo incognoscível a ser descoberto. Este desejo, essa vontade não é adquirida. Esse desejo é um conhecimento escondido que persiste na alma.
Portanto, a descrença no Ideal de Deus não mais é que uma condição provocada pelos vapores decorrentes da ilusão da vida material , que cobre como nuvens a luz da alma, que é sua vida. É por isso que o descrente não está satisfeito com sua descrença. Sim, às vezes a vaidade é alimentada por ela: pensar que se é um sábio por não acreditar em alguém, cuja existência é afirmada por inúmeros “cegos”. Então ele começa a pensar: afinal, crer em Deus não é uma coisa difícil, qualquer idiota pode acreditar nesse Ideal de Deus. Ele toma, então, a direção oposta, a de se recusar a acreditar. Ele não é honesto, e ainda é como alguém que está diante de uma parede, o que bloqueia seu caminho de progresso.
Se este mundo oferecesse a uma pessoa tudo o que possui, mesmo assim, a alma não ficaria satisfeita, porque a sua satisfação está em sua alta aspiração. E é essa aspiração mais elevada o que finalmente conduz a Deus. A pergunta: "O homem tem uma aspiração, já que esta é sua natureza, mas, no final da jornada, ele pode acabar não encontrando nada, não é?" pode ser respondida: não existe dúvida que não tenha resposta, e não há nenhum objeto de desejo que não exista. Há apetite e há comida, há sede e há água, há visão e há algo para ser visto.
Portanto, há a aspiração e há Deus. O homem não sabe daquilo que não existe. Não há uma coisa que se conheça e que não exista. Já que não se pode saber sobre o que não existe, algo tem de existir em primeiro lugar para que se possa então saber.
Mas há uma pergunta: ninguém conhece a Deus, só se acredita em alguma idéia. - A resposta é: qual é a idéia? A idéia é aquilo de onde tudo surgiu.
Ciência, arte, música, poesia, religião e nação, todos nascem da idéia. Se a idéia é a fonte de onde tudo vem, então por que razão a idéia seria algo insignificante? e porque Deus, que é a fonte e a meta de tudo, não pode ser encontrado na idéia?
Buscar a Deus é um resultado natural da maturidade. Há um momento na vida em que uma paixão é despertada, e que dá à alma uma ânsia pelo inatingível. E se a alma não toma essa direção, então certamente faltará algo na vida, que é o seu desejo inato, e no qual reside a sua máxima satisfação.
Reflexões diárias sobre os seguintes pontos em Gatheka Religiosa 42
Ponto Um: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan diz no artigo: "A existência de Deus é uma questão que se coloca em cada mente, quer na mente do crente em Deus ou na mente do incrédulo”.
Contemplação: Considere a lógica da mente em relação ao "saber" da alma.
Ponto Dois: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan diz no artigo: “a descrença no Ideal de Deus não mais é que uma condição provocada pelos vapores decorrentes da ilusão da vida material, que cobre como nuvens a luz da alma, que é sua vida”.
Contemplação: Da Oração Khatum "revela-nos Tua Divina Luz, que está escondida em nossas almas”.
Ponto Três: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan diz no artigo: "Buscar a Deus é um resultado natural da maturidade. Há um momento na vida em que uma paixão é despertada, e que dá à alma uma ânsia pelo inatingível. E se a alma não toma essa direção, então certamente faltará algo na vida, que é o seu desejo inato, e no qual reside a sua máxima satisfação”.
Contemplação: Da Oração Salat, "traga-nos para mais perto de ti a cada momento de nossa vida, até que se reflita em nós Tua graça, Tua Glória, Tua Sabedoria, Tua alegria e Tua paz”.
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41. O Movimento Sufi
Gatheka Religiosa
por Hazrat Inayat Khan
Pode-se perguntar a si mesmo: que movimento é esse? É um movimento religioso, é um movimento filosófico ou é um movimento social? Na realidade, este movimento é a resposta ao grito da humanidade. Qual é a resposta? - a resposta é Deus. Se é um movimento religioso, não é um movimento para fazer propaganda de um credo em particular. É um movimento religioso no sentido que este movimento se destina a promover a paz entre os seguidores de todas as religiões. É um movimento religioso no sentido de que todos nós possamos aprender - seja qual for a nossa crença ou fé, qualquer que possa ter sido a fé dos nossos antepassados – possamos aprender a respeitar a religião do outro.
Eventualmente, ao fazermos isso, podemos ascender a um estado de compreensão no qual assimilamos uma religião como a soma total de todas as outras. Nesse instante nos elevamos acima das diferenças e distinções que nascem das perspectivas estreitas do homem, da sua limitação, e começamos a compreender que esta ou aquela religião, seu nome e sua forma, eram apenas uma cobertura, uma cobertura sobre a Religião que sempre foi, que é, e que sempre será.
Deus é um só, a verdade é uma só. Como pode haver duas religiões? Só há uma religião,a Religião única. Foi a partir da limitação da natureza humana que ela perdeu o crédito da humanidade. Se houve alguma religião, sempre foi uma religião localizada em alguma época da história, seguida por um povo ou nação específicos. Sim, nós estamos vivendo em terras diferentes, mas sob um mesmo céu: Então nós temos muitas igrejas, mas um só Deus, muitas escrituras, mas uma sabedoria, muitas almas, mas um espírito, o espírito único de Deus.
É para entender esse ideal que temos esse Movimento, e temos diversas maneiras pelas quais estudamos e praticamos esse ideal. O lado devocional do nosso Movimento é isso, este Serviço. Estas velas representam a luz de diferentes religiões conhecidas do mundo, e sobre este altar, você verá todas as diferentes escrituras que os grandes têm trazido à humanidade, de tempos em tempos. Não deixa de ser uma forma, e ainda assim abrange tudo. Há aqui o Githa dos hindus, o Alcorão dos muçulmanos, a Bíblia dos cristãos, e ainda a Cabala dos judeus, tudo sobre este altar. O que isso significa? Colocamos em nosso altar a sabedoria, não o nome. O que é o cristianismo? A verdadeira sabedoria, espírito de Cristo - Qual foi o espírito de Cristo? Esse espírito que sempre uniu a humanidade e que sempre a unirá. Se houver algum cristianismo que lhe valha o nome, significará elevar-se acima das distinções e diferenças que separam a humanidade, esta humanidade que deveria unir-se em uma fraternidade, na Paternidade de Deus.
Temos entre nós alguns que preferem manifestar uma devoção sem forma ritualizada. Não há nenhuma restrição. Quer queira vir para o serviço ritual, ou para uma devoção sem forma, desde que Deus, que é o pai da humanidade, seja buscado em sua verdade, isso não importa.
Nós chamaríamos os membros do nosso Movimento de infiéis se fossem para qualquer outra igreja, ou que participassem de outra cerimônia? Nunca. Para qualquer serviço, qualquer igreja, independentemente da cerimônia, onde quer que possam ir com o mesmo sentimento de devoção universal, eles estarão recebendo a bênção de Deus.
Isso não mostra que, enquanto o tempo passa, se o verdadeiro ideal religioso é degenerado, a mensagem sempre chega novamente à humanidade? Não é para uma comunidade, é para o mundo inteiro.
E à objeção:”Nós somos muito poucos,” podemos responder: "Não realmente". Os membros deste movimento em particular podem ser limitados, mas os membros do nosso ideal não se limitam a este mundo. Nós temos milhões e milhões e milhões de membros em todo o universo. Quando vamos com nossos corações abertos, com o pensamento de fraternidade (de pertencer a uma família), quando abrimos os braços e acolhemos sem perguntar: qual a sua nacionalidade, que raça, fé, religião que você tem? - então, com certeza nos tornamos irmãos da humanidade e a humanidade torna-se nossa família.
Reflexões diárias sobre os seguintes pontos em Gatheka Religiosa 41
Ponto Um: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan, na palestra, diz: "Deus é um só, a verdade é uma só".
Contemplação: Repita a frase "Deus é um só, a verdade é uma só" sempre que a separação, as distinções e diferenças surgirem no coração e na mente.
Ponto Dois: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan, na palestra, diz: "A humanidade ... destina-se a se unir em uma só fraternidade, na Paternidade de Deus".
Contemplação: Unidade dentro do ser e no mundo.
Ponto Três: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan, na palestra, diz: "Os membros deste movimento em particular podem ser limitados, mas os membros do nosso ideal não se limitam a este mundo."
Contemplação: Unidade dentro do ser e no mundo.
Ponto Quatro: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan, na palestra, diz: "Quando vamos com nossos corações abertos, com o pensamento de fraternidade (de pertencer a uma família), quando abrimos os braços e acolhemos sem perguntar: qual a sua nacionalidade, que raça, fé, religião que você tem? - então, com certeza nos tornamos irmãos da humanidade e a humanidade torna-se nossa família."
Contemplação: Unidade dentro do ser e no mundo.
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40. A Mensagem (2)
Gatheka Religiosa
por Hazrat Inayat Khan
Todos nós neste mundo, de acordo com a nossa pequena capacidade, servimos a Deus, consciente ou inconscientemente. Todos nós executamos esse serviço, ainda que seja sem sabê-lo.
Há um ditado do grande filósofo persa, Rumi: "Fogo, ar, água e terra são servos de Deus e, sempre que Deus deseja que os elementos trabalhem para Ele, eles estão prontos para obedecer ao seu comando". Se os elementos são servos obedientes a Deus, e se tornam-se instrumentos de Deus, não pode o homem ser um instrumento maior e melhor? Na realidade, o homem deve ser o melhor instrumento de Deus para a realização da finalidade de sua criação.
Desta forma, aqueles que têm sido instrumentos de uma comunidade, foi Ele quem os colocou como instrumentos para aquele grupo de pessoas; os que têm sido instrumentos de uma nação, foi Ele quem os utilizou como instrumentos para aquele país, e as almas que têm sido instrumentos para o conjunto humanidade, têm sido usadas por Deus para esse fim. Em qualquer habilidade na vida, como a de um rei, de um profeta, um reformador, um pregador, há os que têm servido a Deus. O maior dos serviços é prestado pelo Profeta, que traz a humanidade para mais perto da perfeição. Pois cada alma nasce para este fim, e toda alma deverá alcançar, por assim dizer, os pés de Deus.
Desde que o Profeta trouxe a Mensagem de Deus, esta é a Mensagem de Deus, que vem sempre da mesma Fonte, não importando quando se apresente. Se ela veio há uma centena de milhares de anos atrás, era Sua Mensagem, e se ela veio há dois mil anos atrás, era a Sua Mensagem e, se ela veio hoje, ainda é a Sua Mensagem. E como o homem tem sido ignorante através das eras! e ele ainda manifesta sua ignorância até hoje. Pois sempre que a Mensagem veio, o homem se manteve recusando, disputando e discutindo. Homem ligava-se a um profeta e ignorava o outro, ele estimava um, e desprezava os outros. E a razão disso é que ele conhecia o mensageiro, mas não compreendia a mensagem. Ele tomou o livro como religião, mas não reconhece sua Mensagem. Se não fosse esta a tendência geral, como poderia Jesus Cristo, com sua Mensagem tão espiritual, ter sido crucificado? Havia profecias e, além das profecias, o próprio Mestre foi a evidência de sua Mensagem; inclusive há um ditado que diz: "O que você é fala mais alto do que o que você diz”. E quão fortemente tampados estão os olhos do homem pela religião, pela fé, pela crença que ele adotou, de aceitar um Mensageiro e rejeitar a Mensagem, sem saber que há somente uma Mensagem, que não pode haver duas!
Sim, as formas como a mensagem nos chega são diferentes, de acordo com a mentalidade da época. Cada profeta tinha que falar da maneira mais conveniente ao momento em que ele viveu, de acordo com a evolução da época. Outra coisa é que o costume de cada país é único - e o modo de vida diferente dos de outros países. Se o Mensageiro nasce em um país e tem que difundir a sua mensagem em outro lugar, certamente ele deve considerar a maneira como as pessoas daquele país olham a vida, e transmitir sua mensagem de acordo com isso. Mas a mensagem vem de Deus. Esta é a razão pela qual o estudo superficial do budismo vai mostrar que o hinduísmo é diferente do budismo; que o estudo superficial do cristianismo e do islamismo vai provocar a sensação de que o cristianismo é diferente do Islã. Mas, se a pessoa perceber que há um fio condutor que liga todas as religiões, compreenderá que toda religião é uma só, como a Verdade é uma só, como a vida é uma só, como Deus é um só.
A humanidade tem feito muitas guerras, com lutas, disputas e diferenças. Agora se você perguntar às pessoas de qualquer país, de qualquer raça, eles vão te dizer: "Chega, chega, agora não faremos mais nenhuma guerra." A última guerra mundial, que acabou de passar, nos mostrou a maior tragédia que o mundo já viu. Embora a doutrina de Cristo seja de paz: "Bem-aventurados os pacificadores" - e o desejo mais íntimo de todo mundo seja a paz - a humanidade não sabe como construir a paz, e para fazer a paz ela vai para a guerra.
A mensagem do Sufismo trabalha sobre essa intenção das pessoas e nações em direção à paz, fazendo-as ver este é o ensinamento de Cristo, e a própria natureza de Deus. Existem diversas atividades que estão ocorrendo agora, tanto em direção à paz quanto à guerra. Todo pequeno movimento que trabalha para a unidade da humanidade é digno de incentivo, com os quais vale a pena colaborar. Mas deve ficar claro que a paz religiosa precisa ser atingida, porque, direta ou indiretamente, o pensamento religioso é que está trabalhando para trazer a paz ou a guerra.
O Movimento Sufi não tem a intenção de formar uma comunidade, ou que o mundo todo deva seguir somente uma religião. Isso é tão impossível quanto todas as pessoas do mundo terem a mesma face.
Mas o possível é que, por conhecer e compreender o segredo da vida, através da compreensão da natureza de Deus, por estudar e compreender a natureza da vida, os homens devem certamente tornar-se tolerantes uns com os outros, evoluírem e unirem-se acima das diferenças de raça, credo nação e religião.
Através de uma orientação pessoal, os indivíduos são ensinados, na Ordem Sufi, sobre seus problemas mais profundos da vida e os métodos de auto-realização, no qual há a compreensão de Deus. E, para este fim de estudo e orientação prática, todos são bem-vindos. Qualquer que seja a sua fé, ou nome, ou nação, ou a religião, a Ordem não interfere nisso. Não é desejo de um Sufi tirar alguém de sua religião, convencendo-o a seguir a sua. Além e acima de todos os outros objetivos que a Ordem Sufi tem, está o propósito de reunir a humanidade - tão dividida em raças, classes sociais, credos e religiões - na sabedoria e no conhecimento da verdade. Que uma Fraternidade humana possa ser formada na Paternidade de Deus.
Reflexões diárias sobre os seguintes pontos na Gatheka Religiosa 40
Primeiro ponto: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan, na palestra, diz: “Na realidade, o homem deve ser o melhor instrumento de Deus para a realização da finalidade de sua criação.”
Contemplação: Imagine, sinta, invoque a grandeza desta afirmação, de que "devemos ser o melhor instrumento de Deus para a realização da finalidade de sua criação"! Vamos repetir uma e outra vez a linha da Oração Saum :"Use-nos para o Propósito que Tua Sabedoria escolher."
Segundo Ponto: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan, na palestra, diz: "O Movimento Sufi não tem a intenção de formar uma comunidade, ou que o mundo todo deva seguir somente uma religião. Isso é tão impossível quanto todas as pessoas do mundo terem a mesma face.”
Contemplação: O belo e delicado raciocínio do Murshid nos desperta para o fato de que a beleza e a harmonia decorrem da diversidade, não da mesmice. Lembremo-nos disso em nossa busca de compreensão sobre os outros.
Terceiro Ponto: Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan, na palestra, diz: "Através de uma orientação pessoal os indivíduos são ensinados, na Ordem Sufi, sobre seus problemas mais profundos da vida e os métodos de auto-realização, no qual há a compreensão de Deus”.
Em outro trecho: "... Mas o possível é que, por conhecer e compreender o segredo da vida, através da compreensão da natureza de Deus, por estudar e compreender a natureza da vida, os homens devem certamente tornar-se tolerantes uns com os outros, evoluírem e unirem-se acima das diferenças de raça, credo nação e religião."
Contemplação: O Murshid, muito simples e diretamente, descreve o caminho e a Finalidade da Ordem Sufi (Escola Interna): 1) discipulado levando à compreensão de Deus e de Si Mesmo, 2) essa compreensão traz percepção 3) essa percepção leva ao entendimento para além das fronteiras e limitações.
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1. A Religião do Coração
Gatheka Religiosa
por Hazrat Inayat Khan
Se alguém lhe pergunta: “O que é Sufismo/ Que religião é essa?”, você pode responder: “Sufismo é a religião do coração, a religião na qual uma coisa é a mais importante, que é buscar Deus no coração da humanidade.
Existem três maneiras de buscar Deus no coração humano. A primeira é reconhecer o divino em toda pessoa e ser cuidadoso a respeito de cada pessoa com a qual estabelecemos contato, com nosso pensamento, nossa fala e nossa ação. A personalidade humana é muito delicada. Quanto mais vivo um coração, mais sensível ele é; pois o que causa a sensibilidade é o elemento amor no coração, e amor é Deus.
A pessoa cujo coração não é sensível não tem sentimento, seu coração não se encontra vivo, na verdade está morto; neste caso o espírito divino está oculto em seu coração. Uma pessoa que esteja sempre conectada com seus próprios sentimentos está tão absorta neles que não tem tempo nenhum para pensar no outro. Toda sua atenção está presa em seus próprios sentimentos, ela sente pena de si mesma, ela lamenta sua própria dor e nunca está aberta para simpatizar-se com outros. Aquele que presta atenção no sentimento de outra pessoa com a qual entre em contato pratica a primeira e essencial moral do Sufismo. O outro modo de praticar esta religião é considerar o sentimento da pessoa que no momento não se encontra próxima. Sente-se uma pessoa presente, mas normalmente aquele que não está à vista é negligenciado. Fala-se bem de alguém na frente da própria pessoa, mas se alguém fala bem de alguém que está ausente, isso é mais valioso ainda.
Simpatizamo-nos com o problema de alguém que está presente num dado momento, mas é mais notável simpatizarmo-nos com aquele que se encontra distante. E a terceira maneira de realizarmos o princípio Sufi é reconhecer no sentimento de alguém o sentimento de Deus; compreender que cada impulso surge no coração da pessoa como um sinal de Deus; compreendendo que o amor é a faísca divina no coração de alguém, que surge como uma manifestação de Deus, compreender o amor como essa faísca divina no coração, e assoprar essa faísca até que a chama apareça para iluminar o caminho na vida de alguém.
O símbolo da Ordem Sufi, que é um coração alado, é revelador de seu propósito. O coração é tanto terreno quanto celeste. O coração é o receptáculo terrestre do espírito divino, e quando ele recebe o espírito divino ele absorve o Céu em si; as asas estão figuradas em posição de elevação. O crescente lunar é um símbolo de capacidade de resposta; é o coração que responde ao espírito de Deus que se manifesta. Ele simboliza a responsabilidade porque vai refletindo o Sol mais e mais, de acordo com sua receptividade. A estrela na Lua crescente representa a faísca divina que se reflete no coração humano como amor, e ajuda a Lua em seu processo de crescimento.
A Mensagem Sufi é a mensagem do dia. Ela não traz teorias nem doutrinas além daquelas que já existem, e que confundem a mente humana. O que o mundo precisa hoje em dia é da mensagem de amor, harmonia e beleza, cuja falta reduz a vida a uma tragédia. A Mensagem Sufi não mostra uma nova lei; ela desperta na humanidade o espírito de fraternidade, com tolerância da parte de uns a respeito da religião dos outros, com perdão das faltas uns dos outros; ela ensina atenção e consideração, para assim criar e manter a harmonia na vida; ela ensina serviço e predisposição, que tornam a vida frutífera, que faz a satisfação de toda alma.
Reflexões diárias nos seguintes pontos em Gatheka Religiosa 1:
Pir-o-Murshid Hazrat Inayat Khan, nesta leitura, diz que há três maneiras de buscar Deus no coração humano.
Ponto Um: O primeiro modo é reconhecer o divino em cada pessoa e ser cuidadoso com cada um com quem se faz contato, em seu pensamento, palavras e ação.
Contemplação: Como eu posso fazer desses “modos de encontrar Deus no coração humano” uma expressão efetiva em minha vida?
Ponto Dois: O outro modo de praticar esta religião é considerar o sentimento da pessoa que no momento não se encontra próxima. Sente-se uma pessoa presente, mas normalmente aquele que não está à vista é negligenciado. Fala-se bem de alguém na frente da própria pessoa, mas se alguém fala bem de alguém que está ausente, isso é mais valioso ainda.
Contemplação: Quais são as maneiras pelas quais eu expresso esses ensinamentos em minha vida?
Ponto Três: E a terceira maneira de realizarmos o princípio Sufi é reconhecer no sentimento de alguém o sentimento de Deus; compreender que cada impulso surge no coração da pessoa como um sinal de Deus; compreendendo que o amor é a faísca divina no coração de alguém, que surge como uma manifestação de Deus, compreender o amor como essa faísca divina no coração, e assoprar essa faísca até que a chama apareça para iluminar o caminho na vida de alguém.
Contemplação: Quais são as maneiras pelas quais eu não expresso esses ensinamentos em minha vida, e que medidas posso tomar para praticar mais completamente esses conhecimentos em meu dia a dia?
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